Publicada em 10 de Março de 2026

Obras da BR-285/RS avançam com medidas de proteção à fauna

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) avança nas obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC, no trecho de São José dos Ausentes (RS), onde a execução da camada de sub-base da pavimentação já abrange cinco quilômetros de extensão. Concomitante às atividades construtivas da rodovia, são implantadas as cercas direcionadoras de fauna, as quais integram o conjunto de medidas previstas para manter a conectividade dos habitats e reduzir o risco de atropelamentos de animais silvestres.

A base estrutural das cercas é composta por taipas, muros de pedras arrumadas manualmente, associadas a telas metálicas com altura final de 1,80 metro e extensão aproximada de três quilômetros. Desse total, cerca de 1.400 metros encontram-se em obras. Elas serão implantadas nas saídas das seis passagens de fauna ao longo da rodovia — entre pontes e galerias subterrâneas — com o objetivo de direcionar os animais para os pontos seguros de travessia.

A equipe da Gestão Ambiental acompanha as atividades e avalia, em conjunto com a construtora, os desafios impostos pela topografia da região. Com a anuência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ajustes técnicos vêm sendo realizados conforme a realidade encontrada no local. Por se tratar de um projeto inédito nesse formato, as soluções construtivas são discutidas e adaptadas diretamente em campo para garantir maior efetividade das estruturas.

Algumas adaptações, por exemplo, foram aplicadas em duas passagens de fauna subterrâneas. As decisões consideraram resultados de estudos técnicos que avaliaram fatores que influenciam o sucesso das travessias. Conforme pesquisas científicas, passagens mais curtas tendem a apresentar maior utilização por diferentes grupos de animais. Além disso, a presença de vegetação próxima às entradas também favorece a funcionalidade dos dispositivos. A partir dessas evidências, foram sugeridas e implementadas medidas como o reposicionamento e encurtamento das estruturas. 

Outra observação relevante diz respeito às travessias sob pontes. Registros obtidos pela equipe de Gestão Ambiental por meio de armadilhas fotográficas indicaram que cervídeos nativos evitam utilizar esses corredores quando há presença de lâmina d’água. Diante desse cenário, foram solicitadas adequações em duas estruturas destinadas também à transposição da fauna, com a criação de passagens secas que garantem condições de travessia mesmo durante períodos de cheia e favorecem a conectividade entre áreas de campo e mata ciliar ao longo da rodovia.