Publicada em 28 de Julho de 2021

Organismos bentônicos são indicadores de qualidade ambiental

A utilização de indicadores biológicos é um dos métodos mais eficazes para diagnosticar a qualidade dos recursos hídricos. Nas obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Gestora Ambiental, monitora os macroinvertebrados bentônicos visando identificar possíveis impactos do empreendimento nos ambientes aquáticos. Estes organismos, cujo nome deriva da palavra grega benthos (profundidade) habitam o fundo de rios, lagos e demais corpos d’água, aderidos a pedras e folhas ou enterrados no sedimento. 

A nomenclatura antecedida pela palavra “macro” é utilizada para definir os invertebrados que são retidos em redes de malhas de 0,5 milímetros. Embora pequenos, são visíveis a olho nu. Estes organismos pertencem a diferentes grupos, incluindo insetos, anelídeos, crustáceos e moluscos, muitos dos quais são encontrados na água na sua forma juvenil, emergindo mais tarde dos cursos hídricos para colonizar o ambiente terrestre. Sua biologia e comportamento de vida bem definido pela ciência é o que possibilita a utilização em programas de biomonitoramento, incluindo o conhecimento sobre a sensibilidade e/ou tolerância específica de cada grupo. Além disso, a comunidade bentônica ocupa posição vital na cadeia alimentar, podendo ser usada para fazer estimativas da saúde do ecossistema.

Nas obras do Lote 2, em Timbé do Sul (SC), a equipe monitora 15 pontos nos rios Serra Velha, Seco, Rocinha, Timbé e Molha Coco. A metodologia utilizada consiste em posicionar um coletor de malha contra a correnteza, revolvendo o sedimento com o auxílio das mãos e desprendendo os organismos para que eles sejam levados em direção ao interior da rede. Após a etapa de campo, são realizadas as análises de triagem e identificação dos organismos e, posteriormente, as estatísticas em laboratório. 

Ao longo de 19 campanhas, as quais ocorrem trimestralmente, a equipe analisou mais de 40 mil organismos distribuídos entre 53 famílias. Os potenciais impactos aos macroinvertebrados bentônicos associados às obras na rodovia estão relacionados à movimentação de solos e à remoção da vegetação, atividades que podem provocar o assoreamento dos rios e a modificação dos sedimentos dos seus leitos como consequência do aumento da velocidade da água. De acordo com a ecóloga e consultora da Gestão Ambiental, Caroline Voser, os ambientes amostrados apresentam estabilidade e, com a diminuição das atividades construtivas, observou-se um aumento em sua abundância (quantidade de organismos) e riqueza (número de espécies). 

Tal resultado indica que a fauna bentônica é resiliente, ou seja, forte o bastante para suportar as alterações pontuais e alertar se as medidas mitigadoras adotadas - como as ações para prevenir e conter os processos erosivos - estão sendo eficazes.

Fotos de microscópio da macrofauna bentônica disponíveis no link https://bit.ly/3rGQVhS